O show das (gordas) poderosas

Representantes de 27 estados vão disputar o título brasileiro de Miss Plus Size, no Rio de Janeiro


Coroação de Simony Nascimento como Miss Plus Size Rio de Janeiro em junho deste ano Divulgação/VEJA

Nascida e criada em São Gonçalo, município na região metropolitana do Rio, Simony do Nascimento passou 22 anos constrangida com o número do próprio manequim. Era difícil encontrar roupas. No colégio sofreu bullying dos colegas. Por muito tempo o espelho foi seu pior inimigo. Hoje, aos 23 anos, ela fez as pazes com a própria imagem e transformou aquele constrangimento lá de trás no seu grande trunfo para vencer um concurso de beleza. Em junho, Simony venceu o Miss Plus Size Rio de Janeiro e irá disputar a etapa nacional no final do mês.

É a primeira vez que mulheres de todas os 27 estados brasileiros participam do Miss Plus Size Nacional. Na edição inaugural do concurso, em 2010, apenas nove participantes se inscreveram. Saiu vencedora a carioca Tatiana Gaião, bombeira que acabou abandonando a profissão para se dedicar a carreira de modelo, com direito a trabalhos internacionais. “Essas mulheres são as mulheres reais. Não estamos fazendo apologia à gordura, incentivando doenças, nada disso, mas é preciso descontruir essa imagem de corpo de photoshop, que é tão cultuada, inclusive pelas próprias mulheres”, diz Eduardo Arauju, produtor do evento.

Para poder concorrer a coroa de Miss Pluz Size, as candidatas devem vestir manequim 44 em diante, item obrigatório do regulamento do concurso. “Não existe limite”, acrescenta Arauju, que irá apresentar as candidatas ao lado de Selminha Sorriso, porta-bandeira da Beija-Flor e jurada das edições de 2018 e 2019. Os critérios para garantir o título passam por atributos como beleza, elegância e desenvoltura, e as inscrições começaram no início do ano. Custaram 2.000 reais por concorrente, com hotel, maquiagem, cabelo, alimentação e translado incluídos no valor da matrícula.

Serão onze títulos distribuídos durante a competição que acontece no dia 30 de novembro no Rio. O Miss Nacional vai para a primeira colocada e é o prêmio mais aguardado da noite. No entanto, também serão eleitas a primeira e segunda princesa (segunda e terceira colocada, respectivamente), a Miss Virtual (com votação feita pela internet), a Miss Fotogenia (a mais bonita nas fotos), a Miss Simpatia (“tem que ser querida por todas as colegas”, diz Arauju), a Miss Popular (escolhida através das palmas da plateia), a Miss Elegância e a Miss Sênior, liberada para mulheres acima dos 45 anos.Publicidade

Uma categoria em especial, a Miss Praia de Ipanema GG, é inédita. Com intuito de incentivar as mulheres com sobrepeso a frequentar a praia, a disputa acontecerá um dia antes (29) na Praia do Arpoador, Zona Sul do Rio. As candidatas irão desfilar na areia e serão escolhidas pelo voto do público – urnas estarão espalhadas pelo calçadão para que a plateia praiana possa dar seu veredicto.

Simony, representante do Estado anfitrião, não esconde o nervosismo para a disputa do título nacional. “Se o estadual já foi um divisor de águas na minha vida, onde eu pude finalmente me descobrir como pessoa, alguém com autoestima, imagina concorrer com representantes do Brasil todo”, diz a publicitária, que também vive atualmente do trabalho de modelo. “Meu namorado me inscreveu no primeiro concurso brincando que o mundo precisava conhecer minha beleza. Eu, que não tinha muito expectativa profissional, acho que encontrei meu caminho”, diz a Miss Plus Size Rio de Janeiro.

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